segunda-feira, 29 de maio de 2017

AC/DC - Beating Around The Bush (1980)

GÊNERO: NWOBHM
ORIGEM: Austrália (Sydney / New South Wales)
FORMAÇÃO:
Bon Scott (Vocal)
Angus Young (Guitarra)
Malcolm Young (Guitarra)
Cliff Williams (Baixo)
Phil Rudd (Bateria)
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Este é um single de divulgação da música título, o qual o lado B possui duas músicas em versão ao vivo gravadas no show do dia 2 de Novembro de 1979, no Hammersmith Odeon, em Londres, durante a turnê de divulgação do álbum Highway To Hell. O curioso é que o lado A toca em 45 RPM, enquanto o lado B toca em 33 RPM! Este single foi lançado poucos meses após a morte do vocalista. AC/DC dispensa comentários, muitos conhecem e cada um tem sua opinião, o que vale destacar é o trabalho de dinâmica que existe no arranjo das músicas, elas nunca terminam com a mesma dinâmica que começam, existe um crescendo à medida que a música se desenvolve para que a partir do solo tenha seu ápice. Não são todas, mas a grande maioria, e isso, com certeza, faz com que esta seja uma das grandes bandas da história!
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FAIXA A FAIXA:
O single começa com a música título, Beating Around The Bush, exatamente como sua versão no álbum. É uma música com um riff poderoso que já se apresenta logo no início, complementado com um arranjo cheio de pausas na parte A, o que dá um toque bastante interessante, já que estes espaços são preenchidos pela voz. Na segunda volta a guitarra acompanha a melodia vocal, para depois do refrão começar o solo, com a ideia do crescendo na dinâmica se apresentando, porém a parte A volta como na primeira volta, existindo um segundo solo logo em seguida, o que prepara para o final da música. A expressão vocal dá aquele tempero a mais para a composição. Excelente música, vale a pena conferir!
Live Wire é a primeira das duas músicas ao vivo, é a que abre o show. Não tem exemplo melhor que este para perceber o crescendo na dinâmica da música, embora nesta versão, todos instrumentos já começam forte em comparação à versão de estúdio, mas mesmo assim não perde a intenção. São três acordes executados, alguns deles, no contratempo, enquanto o baixo se mantém pedal em Si, o que causa uma ótima impressão e sensação. Considero uma das melhores músicas do grupo, já tive a oportunidade de apresentá-la ao vivo com um aluno de guitarra e outro de contrabaixo. O riff no momento do solo é muito bom, o qual fica ainda melhor no momento das pausas no final do solo. Realmente excelente!
Shot Down In Flames é a última faixa do disco. Sou um grande fã desta música, ela tem um embalo que poucas composições conseguem ter, além de um riff de guitarra bem blues, mas com cara de rock 'n' roll! O vocal de Bon Scott é outro destaque desta composição que tem um dos solos mais simples do grupo, mas ao mesmo tempo criativo, o que faz toda a diferença, deixando-o um solo que dá vontade de ouvir de novo! Todos devem ouvir!
Ouça o single e confira as excelentes versões ao vivo de dois clássicos do grupo!

sábado, 27 de maio de 2017

Abosranie Bogom - Regurgitation (2000)

GÊNERO: Grind Core
ORIGEM: Israel (Haifa / Haifa)
FORMAÇÃO:
Shit Eater (Vocal, guitarra, baixo)
The Colon Grinding Corpse Butcher (Bateria)
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Este é um split com mais 3 bandas: Demonic Orgy, Intestinal Disgorge, e Slough, porém aqui comento apenas sobre o Abosranie Bogom, o qual é o responsável por abrir o lado B da fita! Este é o segundo trabalho lançado pelo grupo, também em fita K-7 assim como a primeira demo. Na verdade é uma banda de porno grind, o som é bem sujo, muitas faixas a voz esconde por total os instrumentos, deixando-os inaudíveis, a mixagem não possui grande qualidade e a sensação é de que o instrumental foi gravado ao vivo e primeiro, para depois a voz ser inclusa, com a sensação desta ter sido feita de forma caseira com gravadores micro-system! O som é pesado e veloz, com bastante distorção na guitarra e um vocal que parece um porco grunhindo! Vale a pena conferir, mas prepare seus ouvidos, já que as músicas têm, em média, 30 segundos!
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FAIXA A FAIXA:
Pauk's Ugly Legs é a faixa que abre o lado B do split-demo, ela começa com um grito feminino seguido de 9 segundos de distorção, riff e vocal grave. Uma das melhores!
A segunda música chama-se Shit On Ugly Legs, a qual começa com gritos de um homem, enquanto os instrumentos entram em ação, a voz distorcida tapa e suja a música, não podendo identificar o que acontece.
Pauk Is A Rooster é quase uma continuação da primeira faixa, começa, também, com gritos femininos até que a guitarra aparece. Não é uma música veloz e a voz não esconde o instrumental, também uma das melhores.
Defecated By God dá nome à quarta faixa que começa com gritos femininos, assim que entram os instrumentos, é bem sujo, assim como a voz, dando a sensação de muita coisa embolada.
A quinta faixa chama-se Jesus Covered With Diarrhoea, não é uma música ruim, mas também não empolga muito, já que não tem muita velocidade e o vocal lembra alguém vomitando.
Shit In A Sack dá nome à faixa 6, uma das poucas que se percebe uma intenção melódica, porém nada muito bacana, está mais para engraçado!
A demo segue com Gum Stuck Up The Ass a qual começa com a guitarra e seu riff, enquanto o vocal parece o de alguém fazendo força!
A faixa 8 chama-se Anal Lips e é daquelas que o vocal tapa todo resto dos instrumentos.
Bump In Cunt é o nome da faixa 9 e segue a linha da faixa anterior.
Maikov Is A Rechitis é uma das melhores, veloz, com as pausas no arranjo sendo o grande destaque, muito boa música! Vale a pena conferir.
Niggerhairy Montreal é outra em que se percebe uma intenção melódica, mas chega a ser irritante! A primeira vez esta chama atenção, mas depois torna-se chato.
A faixa 12 chama-se Anal Smell e tem muito efeito na voz, deixando inaudível os demais instrumentos.
Goats Green Peas é o nome da faixa 13 na qual a voz também deixa os outros instrumentos inaudíveis.
A faixa 14 chama-se Shit Of A Polar Bear, o vocal estraga a música mais uma vez, pois esconde o restante dos instrumentos, porém aqui, existem pausas na voz, dando espaço para perceber o instrumental.
Anus In A Fog dá nome à faixa 15 e tem um riff muito bom, com bastante harmônicos na guitarra. Também uma das melhores da demo!
Thick Fresh Diarrhoea é o nome da faixa 16 e também é uma das melhores, com um riff interessante, existindo ainda, um aceleramento do andamento no final.
Unwipped Asshole dá nome à faixa 17 a qual o vocal parece alguém vomitando, o qual esconde os instrumentos a partir da metade da música.
Got Dirty With Slut também não tem nada de especial, embora não seja uma música ruim.
Saulty Cunt dá nome à faixa 19. Muito boa música, com o vocal bem grave e até um certo groove!
Nigger In A Cage parece um vocal de arrotos com instrumental trivial.
Clit Squeezed By A Door segue a ideia da faixa anterior.
A faixa 22, Bloody Turd, é muito boa, com um bom riff de guitarra e um vocal grave, existindo aceleração do andamento no meio da música.
Face Covered With Hippopotamus é uma das melhores, com um bom riff de guitarra e o vocal grave.
Spermed Eyes não é uma música ruim, mas a equalização da voz faz ela não ser tão boa o quanto poderia ser.
Blister On Ass Of An Old Lady dá nome à faixa 25, apesar das eventuais pausas, o riff não agrada muito, mas não chega a ser uma música ruim.
Shit On Rails é daquelas que a voz esconde o resto.
Dirty Cunt Of A Cow é bem suja, com o vocal escondendo o instrumental.
Santa Crapped In The Chimney é uma das melhores, veloz com um riff furioso e o vocal não exagerado são as principais características. Vale a pena conferir.
A faixa 29 chama-se Coprophiliac (Shit Fucker) e começa com o áudio de um filme pornô na qual ouve-se sons de flatulências enquanto uma mulher geme para logo após a música começar, a qual não tem nada de empolgante, embora não seja ruim.
Someone Crapped tem só 3 segundos e é uma das melhores da demo!
Cunt In A Bear's Lair dá nome à faixa 31 tem o vocal meio bagunçado e o riff não empolga.
Tampax Commercials tem destaque nos harmônicos artificiais executados na guitarra, deixando-a uma música interessante, apesar do vocal bagunçado.
Wounded Turd é curta e veloz!
A penúltima música chama-se The March Of The Dead Clowns e começa com uma melodia típica de circo com um arranjo de guitarra distorcida executado com a alavanca, e uma voz que dá a impressão de ser, realmente, palhaços mortos!
A demo finaliza com Belorussian Partizan Hacked To Small Pieces In The Sewer a qual começa com um ótimo riff de guitarra, porém quando entra a voz, não se ouve mais nada além dela! No final ela some, podendo ouvir os instrumentos de novo.
Curta Regurgitation e sinta a porrada do grind core israelense entrar direto no seu ouvido e balançar seu cérebro!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Abandin All Hope - An Excuse To Ramble (2006)

GÊNERO: Pop Punk
ORIGEM: Canadá (Fort McMurray / Alberta)
FORMAÇÃO:
Tyler (Vocal, guitarra)
Joey (Guitarra)
Darren (Baixo)
Steve (Bateria)
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Apesar de ser um álbum pop punk, tem alguns flertes com o hardcore melódico e outros poucos com o ska. Este é o primeiro álbum do grupo, lançado de maneira independente, sem selo de apoio. Lembra demais o Diesel Boy, mas lembra, algumas vezes MXPX. Não é um álbum ruim, mas longe de ser aquele que dá vontade de ouvir vezes seguidas! Não apresenta nada de especial. Tecnicamente, só o trivial. O destaque maior está no desenho melódico da voz. Vale a pena conferir... de vez em quando!
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FAIXA A FAIXA:
O álbum começa com a música You Want It. Um pop punk, na linha Screeching Weasel, com bom desenho melódico da voz, alguns contracantos harmônicos, frases em sincronia entre os instrumentos, bem como acentos fora do tempo forte e pausas. Estes são os brilhos que a música possui, tornando-a uma boa música apesar de não ser tão veloz.
A segunda faixa chama-se Dorm Phase e é como a trilha sonora de uma novela teen! Bem pop e fraquinha, perfeita para tocar em filmes da Sessão da Tarde ou na Malhação! Uma das piores do álbum, com nada de especial a não ser a frase da guitarra em ostinato.
Bad Influence é uma das melhores do álbum, esta já dá uma acelerada no andamento, apesar de cadenciar a partir da metade (ou menos) do tempo para depois voltar veloz. As frases oitavadas da guitarra são o diferencial do arranjo, bem como as variações rítmicas da mesma harmonia.
A faixa 4 chama-se Another Year e também é fraquinha, mas o desenho melódico da voz na parte A faz ela valer a pena, embora também tenha bastante variações rítmicas, a começar pelo ska em sua introdução, o qual também aparece na metade da música também. O refrão é o ponto fraco da música, tornando-a muito pop.
A quinta faixa chama-se Cavalier e também está entre as 6 melhores do álbum, possuindo trechos velozes embora também tenha um caráter pop. Esta se parece mais com MXPX! Os arranjos, assim como as demais músicas, são bem trabalhados, o que valoriza a canção.
Barkley Said It Best está entre as 3 melhores músicas do álbum, realmente muito boa. Esta é um hardcore melódico com nada de pop. Sem trechos sing-a-long ou intenções melódicas alegres, veloz, e tem na frase da guitarra, já na introdução, o seu destaque. Realmente muito boa a música.
A faixa 7 chama-se Camping Rules que tem diversas variações rítmicas em seu desenvolvimento, desde trechos velozes, a ska ou outros mais cadenciados. Boa música, mas com caráter bem alegre, o que a dá um aspecto mais pop.
A oitava música do álbum também é uma das melhores e chama-se Pop Culture. Com trechos velozes e uma frase de guitarra que faz valer ouvir a música por si só, o desenho melódico também tem seu valor, existindo contracantos e outra frase de guitarra, esta oitavada. Vale a pena conferir.
Giddy Up é outra música que começa com ska, tendo em seu destaque o desenho melódico da voz que é, na parte A, muito bem complementado pela frase da guitarra, e, mais uma vez, as variações rítmicas no desenvolver da música se tornam um ponto positivo.
A décima música do álbum chama-se Ten Days e é um típico pop punk que lembra, mais uma vez, MXPX. O desenho melódico da voz é destaque mais uma vez, em especial devido à resposta das frases melódicas da parte A da música, existindo pausas e frases de guitarra que ajudam a enriquecer a composição.
When I Died, a faixa de número 11, é, com certeza, a melhor música do álbum, um punk rock na linha de Bad Religion, mas que também lembra Living End. Realmente muito boa a música, o álbum valeria a pena de se ouvir se tivesse apenas esta música! Palhetadas velozes das guitarras com um bom desenho melódico da voz e acentos marcados junto entre os instrumentos são os destaques desta música que, com certeza, vai fazer querer ouvi-la de novo!
A penúltima música do álbum, We Don't Belong Here é um pop punk com destaque para os arranjos (mais uma vez) apesar de existir uma frase em ostinato da guitarra que tem o seu valor! Mas no mais é uma música fraquinha sem nada além do já citado.
O álbum finaliza com Oh Well, que também não é das melhores do álbum, mas tem um bom clima para finalizá-lo, com destaque para as frases de guitarra e para as duas vozes no refrão, não é uma má música, mas não chega a empolgar. O desenho melódico da voz lembra um pouco AFI!
Escute o primeiro lançamento deste grupo canadense e tire suas próprias conclusões sobre seus arranjos bem trabalhados! Vale a pena!

sábado, 13 de maio de 2017

A Wilhelm Scream - Mute Print (2004)

GÊNERO: Hardcore Melódico
ORIGEM: EUA (New Bedford-B.C. / Massachusetts)
FORMAÇÃO:
Nuno Pereira (Vocal)
Trevor Reilly (Guitarra)
Christopher Levesque (Guitarra)
Jonathan Teves (Baixo)
Nicholas Pasquale Angelini (Bateria)
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Excelente álbum já na estreia do grupo! Primeiro álbum lançado sob o nome de A Wilhelm Scream (e não mais Smackin' Isaiah) pelo selo Nitro. As guitarras são destaque no álbum, principalmente por apresentar técnicas variadas e interessantes como tapping e legatos, mas os demais instrumentos não ficam para trás, demonstrando boa técnica e, o principal, boa sincronia entre si. É um som que lembra uma mistura de Strung Out com Good Riddance e desenhos melódicos semelhantes ao AFI. Vale a pena conferir! Tive a feliz oportunidade de assisti-los ao vivo, e a energia no palco é até maior daquela que se percebe no álbum!
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FAIXA A FAIXA:
O álbum começa com a música que dá título ao álbum: Mute Print. Uma das melhores do álbum, mesmo sendo de curta duração, ela começa com apenas a voz, para depois os instrumentos se apresentarem! Logo no início o embalo não é dos mais velozes, mas logo em seguida acelera, na qual vem riffs de guitarra com tapping dando um cartão de visitas do que está por vir! Esta faixa possui videoclip de divulgação.
Logo após começa a música Famous Friends And Fashion Drunks, a qual também possui videoclip de divulgação. O ponto forte da música são as guitarras, principalmente em sua frase em ostinato melódico descendente existente mais pro final da música. Só este detalhe já faz a música ganhar o merecimento de ser apreciada!
A terceira faixa, Anchor End, é embalada, e também tem destaque para as guitarras, porém possui o refrão bastante fraquinho, mas não o bastante para torná-la uma música chata, muito pelo contrário, é uma ótima composição!
William Blake Overdrive é a quarta faixa e uma das melhores do álbum, veloz e embalada quase que do início ao fim, com excelentes riffs de guitarra, que mais uma vez são  o instrumento de destaque, embora a parte melódica seja bem marcante e a bateria tenha seus momentos de frases bem executadas.
A faixa 5 chama-se Brand New Me, Same Shitty You, na minha opinião, é a pior do álbum. Com certeza a mais fraquinha, embora as frases com legato da guitarra dão um toque especial para o arranjo da composição. Não chega a ser ruim, mas perde se comparado às demais músicas do álbum.
The Rip é uma das melhores músicas do álbum, em especial pelo embalo e velocidade, mas também pelos arranjos de guitarra e bateria. As semi-colcheias do riff da guitarra na introdução me lembram muito trilhas para jogos de Atari! Muito bom!
A faixa 7 do álbum chama-se Retiring. Não é muito veloz, mas é muito boa, com um refrão sing-a-long que facilita seu entendimento. Muito parecida com músicas do Face To Face, vale a pena conferir!
Stab. Stab. Stab. dá nome à faixa 8, também está entre as 5 melhores do álbum, embalada e veloz, com destaque, mais uma vez, para as guitarras que executam riffs quase que o tempo todo da composição, que também tem uma boa execução melódica.
A faixa 9 leva o nome de A Picture Of The World, a qual é uma das músicas mais bem, trabalhadas do álbum, com muitos momentos que exigem boa sincronia dos músicos, elemento este que se torna o destaque da música, também não é muito veloz, mas mantém o embalo nos momentos em que arranjos sincronizados são executados.
Kursk é, na minha opinião, a melhor música do álbum, com um riff de guitarra na introdução característico do heavy metal, veloz e embalada, embora existam momentos mais na manha. Enfim, o riff da guitarra no início faz valer por qualquer elemento, muito bom mesmo!
A última música do álbum chama-se Dreaming Of Throwing Up, e é a música ideal para finalizar o álbum. Considero a música mais diferente das outras, lembra bastante Swingin' Utters e um pouco (de novo) de Face To Face, criando diversos climas diferentes no decorrer da música, o que é, por sinal, o aspecto positivo da faixa.
Ouça o álbum e confira um dos expoentes de uma nova geração do hardcore melódico que surgiria por esta mesma época!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A-Ok - Samurai (2006)

GÊNERO: Hardcore Melódico
ORIGEM: Brasil (Curitiba / Paraná)
FORMAÇÃO:
Daniel Kruger (Vocal)
Ricardo Oliveira (Guitarra)
Tiago Straioto (Guitarra)
Raphael Guarneri (Baixo)
Rodrigo Hayden (Bateria)
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Este é o quarto, terceiro de estúdio, e último álbum deste excelente grupo, lançado pelo selo Onelife. Não considero este o melhor do grupo, não tem nenhuma música de destaque, nem positivo nem negativo, as músicas são lentas, mas em compensação os arranjos estão extraordinários, principalmente os das guitarras, expondo muita técnica e sincronia, com grande criatividade, por parte dos integrantes, para preencher os espaços. Me lembra uma mistura de A Wilhelm Scream com Strung Out, com solos de heavy metal, mas com melodias vocais características do hardcore curitibano, semelhante a bandas como Sugar Kane ou No Break, o que é muito bacana, pois evidencia uma identidade na expressão artística musical de uma região. Tive a feliz oportunidade de dividir o palco com eles algumas vezes (a maioria em Santa Catarina) depois de ser um grande admirador do grupo ainda na década de 90, após ouvir sua primeira demo. Podem ter certeza que o que eles faziam em estúdio era executado com precisão ao vivo, a potência da voz se mantinha do início ao fim do setlist, sem deixar a peteca cair! Todos eles eram muito gente fina, lembro de trocar mais ideia com o Daniel e o Raphael, o qual trocávamos algumas figurinhas sobre nosso instrumento! Eles realmente curtiam tocar, o que fica evidente na evolução técnica de um álbum para outro, e eram bastante unidos, é uma pena que não tiveram maior reconhecimento, pois mereciam!
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FAIXA A FAIXA:
O álbum começa com a faixa chamada Contato. Ela é um cartão de boas vindas, pois todos os integrantes, sem exceção, têm um momento de destaque, mostrando um resumo do que virá a seguir no álbum, com excelentes riffs de guitarra e arranjos muito bem trabalhados.
Alternativa é o nome da segunda faixa, a qual possui um extraordinário riff de guitarra que se apresenta já no início da composição, é uma faixa com destaque para as guitarras, mais uma vez!
A terceira faixa, Código, é uma das melhores do álbum, com certeza a mais embalada, com a bateria dando o ar do que é esta composição já no início! Ela dá uma "murchada" na estrofe e no refrão, mas tem uma progressão harmônica, antes da parte C, que vai e volta bastante interessante. E, claro, o arranjo das guitarras que são o grande destaque.
Encerrando Ciclos é a música que menos me agrada no álbum, apesar dos riffs de guitarra, que são o grande destaque da música, mas creio ser a mais lenta do álbum, embora tenha pontes velozes. De qualquer forma, a bateria se destaca nesta faixa, além das guitarras.
A faixa 5 chama-se Paraíso Dos Infernos, também tem o grande destaque nas guitarras, com uma embalada no início da parte A. As variações rítmicas no arranjo da música também são destaque. Uma boa música, em especial pelas guitarras.
O Herói tem um excelente riff de guitarra no início da música que continua nas partes A e B seguintes, lembrando muito riffs de bandas de heavy metal da década de 80, assim como a parte C e o solo lembra demais bandas como Grave Digger ou Accept. Vale a pena conferir!
A faixa 7, Perfeição Cotidiana, tem um riff de guitarra na parte A que me lembra muito 2 Minutes To Midnight, porém o refrão muda completamente sua intenção devido à sua modulação, as guitarras demonstram técnicas como arpejos em sweep. O riff à la Iron Maiden faz esta música ser uma das melhores do álbum!
Honorário Sem H começa com um excelente riff de guitarra, com destaque para o arranjo executado em harmônicos em um dos espaços. A tercina em semínimas do vocal logo na primeira frase cria um clima interessante para a composição, mantendo um refrão trivial se não fosse a progressão harmônica acompanhada ritmicamente pela bateria. Uma boa faixa.
Profissão Mestre tem uma introdução muito boa, criando uma expectativa para o que vem a seguir. O grande destaque desta faixa está na bateria, onde Rodrigo Hayden preenche, com precisão e criatividade, todos espaços da harmonia. O solo é executado com uma escala exótica, o que dá um clima interessante para o trecho. Uma das melhores músicas do álbum.
A penúltima faixa do álbum, Sincro, é uma das melhores, começando com um excelente riff de guitarra que, por sinal é o grande destaque da faixa, com muitos legatos nos riffs, lembrando muitas vezes, de novo, bandas de heavy metal. O contrabaixo tem seu momento nesta faixa, desempenhando um fraseado criativo baseado na escala de cada acorde, o que mantém a intenção harmônica em evidência. Vale a pena conferir!
O álbum fecha com a música Shogun, que começa com sons que lembram uma batalha com espadas seguida de uma platéia. É uma música mais lenta também, é boa, com destaque para os arranjos e riffs de guitarra, mais uma vez.
Ouça Samurai e veja que o hardcore brasileiro tem muita qualidade, não só nas composições, mas também na técnica!

domingo, 23 de abril de 2017

999 - Separates (1978)

GÊNERO: Punk Rock
ORIGEM: Inglaterra (Londres / Londres)
FORMAÇÃO:
Nick Cash (Vocal, guitarra)
Guy Days (Guitarra)
Jon Watson (Baixo)
Pablo Labritain (Bateria)
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Segundo álbum desta clássica banda inglesa de punk rock lançado pelo selo United Artists. Na minha opinião, o melhor álbum do grupo, além de ter em seu repertório 3 clássicos do grupo, na versão em CD existem 4 músicas bônus, lançadas originalmente em singles de 7 polegadas. Me lembra bastante Buzzcocks e Stiff Little Fingers. Este é um grande exemplo de que expressão e criatividade são fundamentais para uma boa música e que nem sempre a técnica faz parte da intenção da composição. Sou fã de Guy Days, responsável pela maioria das composições, pois sabe o momento de incrementar com riffs de guitarra, além de ser evidente a sua influência do blues. Recomendo a todos ouvirem este álbum, realmente excelente, difícil de destacar 5 músicas como as melhores, não é a toa que hoje se tornou um clássico do punk rock inglês!
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FAIXA A FAIXA:
O álbum já começa com o maior sucesso do grupo: Homicide, a qual possui videoclip de divulgação. Esta foi a primeira música que ouvi do grupo, já curti na mesma hora. Apesar do andamento lento e de sua harmonia em ostinato quase que a música toda, os arranjos são muito bem pensados (em especial os de guitarra por Guy Days), não deixando a música enjoativa ou repetitiva, com um refrão que fica na mente, além de ter uma dinâmica crescente que faz a música ter uma grande finalização.
A segunda faixa chama-se Tulse Hill Night, uma típica canção de punk rock inglês do final da década de 70. Nada de especial que chame a atenção, uma boa música que tem no seu refrão o seu ápice.
Lembram quando mencionei que o 999 possuía, em Concrete, uma música que servia de ótimo exemplo para um punk - blues?! Eis aqui em Rael Rean outro exemplo! Quase um punk - blues monocórdico que me lembra muito a música I Feel Like A Wolf do bluesman Eddie C. Campbell. É possível perceber que, pelo menos, o Camisa De Vênus bebeu desta fonte, pois tem uma ponte exatamente igual à ponte de Gotham City!
A quarta faixa é, na minha opinião, a melhor música do álbum, ela é o clássico do grupo Let's Face It. O refrão é o que chama a atenção, mantendo uma variação bem grande na dinâmica em relação à estrofe, sendo o seu melhor o final, onde o improviso e a expressão tomam conta da composição. Vale a pena conferir, com certeza vai querer ouvir de novo!
Crime Part 1 / Part 2 é o nome da quinta faixa, a última do lado A do Lp. É uma música, digamos, diferente! Eu acho ela muito boa, possui uma levada quase de ska, na primeira parte, por parte da bateria, com harmonias que fogem de uma ideia tonal, embora não contenha dissonâncias. A segunda parte da música muda completamente a sua intenção, parece um jazz por parte, principalmente, do baixo, que mantem um ostinato em walking bass, com um clima de guerra e tiros no fundo, além de um vocal semelhante ao de alguém agonizando. Muito boa a composição, bem fora de algo esperado.
O lado B do Lp começa com outro dos grandes clássicos do grupo: Feelin' Alright With The Crew. Na minha opinião, uma das melhores do álbum, se mantém quase que num ostinato da harmonia a música toda, existindo uma levada no contratempo por parte da guitarra, quase um ska e uma frase da outra guitarra que é a marca da música. Muito boa, vale a pena conferir!
A sétima música do álbum, Out Of Reach, é uma das mais embaladas do álbum, um típico punk rock, sendo que o refrão me lembra Surf Punks, provavelmente eles devem ter bebido desta fonte, também!
Subterfuge é o nome da oitava música do álbum. Ela possui uma levada, na parte A, com bastante staccato e um refrão mais embalado. Esta música deve ter servido de influência para o new wave que viria a seguir!
A nona faixa do álbum, Wolf, é mais lenta, porém com arranjos bem trabalhados e seu modo menor, a música se torna muito boa, em especial pelo refrão, uma das melhores do álbum, algumas partes do arranjo com frases bem sincronizadas entre os instrumentos dão o toque a mais para a composição.
Brightest View é, na minha opinião, a pior música do álbum. O problema das bandas de punk britânicas do final da década de 70 é que em algum momento elas se parecem com Beatles e é o que acontece aqui. É uma música bem fraquinha e sem graça, não empolga em nada.
High Energy Plan finaliza o Lp. É uma música que chama bastante atenção com seu arranjo, principalmente com o efeito eletrônico que existe no meio que eu não sei do que é, mas dá uma sensação interessante para a composição. A levada da bateria no refrão também é interessante pelo fato de ser executada apenas na caixa. Muito boa música, uma das melhores do álbum!
You Can't Buy Me é a primeira faixa bônus do CD. Originalmente ela foi lançada como uma das três músicas do single Feelin' Alright With The Crew, e é um punkabilly, pois tem fortes influências do rockabilly, principalmente pelos acordes todos serem executados de maneira "aberta", ou seja, sem power chords. Lembra muito o primeiro do Camisa De Vênus, reforçando a ideia de que estes foram influenciados por este álbum!
Soldier foi lançada originalmente no lado B do single Homicide. É uma boa música, mas meio sem sal, sem nada de especial, sendo o seu melhor o refrão, mas mesmo assim, trivial.
A penúltima faixa do CD foi lançada em um single, juntamente com a última faixa, que leva seu nome: Waiting, uma música bem Ramones, mas um Ramones inglês! Boa, mas também não é das melhores.
Action fecha o CD com chave de ouro! Na minha opinião, uma das melhores músicas do grupo, bem arranjada e com acentos no refrão que fazem toda diferença, assim como a melodia vocal da estrofe. É um rock'n'roll, mas com mais energia, o que a torna um punk rock! Excelente composição!
Escute Separates e tenha um grande clássico dos primórdios do punk rock inglês como referência!

domingo, 16 de abril de 2017

999 - Concrete (1981)

GÊNERO: Punk Rock
ORIGEM: Inglaterra (Londres / Londres)
FORMAÇÃO:
Nick Cash (Vocal, guitarra)
Guy Days (Guitarra)
Jon Watson (Baixo)
Pablo Labritain (Bateria)
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Concrete é o sexto álbum do grupo que foi um dos expoentes do punk rock britânico do final dos anos 70, porém é o quinto de estúdio e o quarto de músicas inéditas. Foi lançado pelo selo Albion e chegou a ficar na 192ª posição da Billboard norte americana. Este é um bom álbum, não um dos melhores do grupo, mas realmente bom. Ele se assemelha muito a bandas como Stiff Little Fingers ou Adverts, existindo várias intenções diferentes em suas composições. Guy Days tem fortes influências do blues em seus riffs, evidente já no início da primeira faixa até o final da última faixa! Assim como existem elementos de western ou disco, além de outros. É um bom álbum, com composições simples, mas bem arranjadas, o que faz toda a diferença, ainda mais se somado à expressão real, da intenção de cada composição, por parte dos integrantes. O órgão é executado por Guy Days, assim como a percussão, que também é executada por Pablo Labritain e Nick Cash. Vale a pena conferir este clássico!
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FAIXA A FAIXA:
A primeira faixa, So Greedy, é um punk rock clássico, típicos 3 acordes em uma progressão que vai e volta, mantendo quase que um ostinato a música toda, com exceção do refrão e de eventuais pontes, a diferença está nos riffs blues da guitarra. Boa música, mas não das melhores do álbum.
Little Red Riding Hood é um cover, composta por Ronald Blackwell e, lançada em 1966 pelo grupo Sam The Sham & Pharaohs. Na minha opinião, esta é a pior música do álbum, tem um refrão que lembra Beatles, além de ser bem fraquinha, não aconselho a tê-la como referência!
A terceira faixa, Break It Up, é, na minha opinião, a melhor música do álbum. Seu título poderia muito bem ser Homicide 2 porque é quase um cover! Se Homicide tivesse sido composta por outra banda, eles teriam, provavelmente, respondido processo! Muito boa, principalmente devido ao riff de guitarra e o arranjo de bateria do refrão.
Taboo é uma música que tendencia ao new wave, mas mesmo assim ainda é uma música de punk rock, para mim, uma das melhores do álbum, com destaque para o timbre do órgão existente e os arranjos de percussão. Também uma composição simples de três acordes, mas muito bem arranjada e expressa.
A quinta faixa, Mercy Mercy, também não me agrada muito, é bem fraquinha, com embalo dançante, mas não chega a ser uma balada. Destaque para os riffs de guitarra "praianos"!
Fortune Teller também é um cover. Composta por Naomi Neville e lançada em 1962 pelo grupo de Benny Spellman. É uma boa música, mas pelo fato de ser sempre igual, quase o tempo todo, ela poderia ter uma duração menor, pois da maneira como foi gravada, acaba se tornando muito repetitiva, apesar doas arranjos dos backing vocais.
Obsessed tem videoclip de divulgação, o qual tenta expor de maneira visual toda intenção da composição que é um punk rock - western - disco, esta é a melhor maneira de defini-la! As frases da guitarra são claramente influenciadas por The Good, The Bad, The Ugly, enquanto os arranjos de bateria são do estilo da disco music, mas a música é um punk rock! Vale a pena assistir ao clip, é típico dos anos 80, tem momentos realmente divertidos!
A oitava faixa, Silent Anger, também é uma das piores na minha opinião, apesar do modo menor que dá ares pós-punk para a composição. A frase da guitarra também é um ponto positivo na música.
That's The Way It Goes é uma boa música, mantendo o velho ostinato de três acordes quase que a música toda, o órgão dá um toque a mais para o arranjo, até pelo fato de ele não estar presente no tempo forte do compasso. Um típico punk rock britânico!
A faixa 10 é uma das melhores do álbum. Bongos On The Nile é instrumental, o que obriga os músicos a serem bem criativos nos arranjos. Aliás, eu sou um grande fã de músicas instrumentais, pois sem palavras, a expressão musical deve se tornar mais presente, bem como a criatividade. Os arranjos de percussão existentes são o diferencial da composição que nos dá a sensação de estar passeando no litoral em um dia de Sol! Os riffs de guitarra são típicos do blues.
A penúltima faixa do álbum, Don't You Know I Need You, também é aquele típico punk rock de três acordes, devido à progressão harmônica que vai e volta executada com pausas pela guitarra, ela lembra Louie, Louie, e, devido ao refrão, ela nos dá a sensação de fazer parte de um pelotão de hipnotizados!
Public Enemy No. 1 é a última música do álbum. Se um dia duvidarem que o punk rock tem influências do blues, esta é a música que deve ser mostrada como prova! É um dos melhores exemplos de um punk rock - blues, percebe-se elementos dos dois gêneros bem evidentes e, ao mesmo tempo. Muito boa faixa, ainda mais para finalizar o álbum.
Ouça Concrete e volte no tempo direto a 1981 com um punk rock britânico de qualidade!

domingo, 9 de abril de 2017

7 Seconds - Ourselves (1988)

GÊNERO: Rock
ORIGEM: EUA (Reno-W.C. / Nevada)
FORMAÇÃO:
Kevin Seconds (Vocal)
Bob Adams (Guitarra)
Steve Youth (Baixo)
Troy Mowat (Bateria)
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Este é o sexto álbum da banda (o quinto de estúdio), lançado pelo selo Restless, e o primeiro a ser por completo mais lento, aliás, este é o álbum mais fraquinho do grupo, após ouvir umas 5 vezes o álbum, é possível identificar elementos bastante positivos, o difícil é se desprender da ideia de que esta é uma banda de hardcore! Na verdade este álbum soa um pouco com bandas australianas da década de 80 como Hoodoo Gurus ou Spy Vs. Spy. O álbum dá a impressão de que existe uma grande preocupação por parte dos integrantes à detalhes e expressão, como se quisesse causar uma sensação positiva nesta mudança de gênero nesta fase. Os arranjos de piano são executados pelo baixista Steve Youth. É um bom álbum, mas àqueles que tem o antigo 7 Seconds como referência devem ir com mais cautela!
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FAIXA A FAIXA:
O álbum começa com a faixa Escape And Run, que para mim não é das melhores do álbum apesar das criativas linhas de baixo, aliás, sou suspeito para falar, mas sou um grande fã do Steve Youth, e, com certeza isso fica evidente quando toco! É um rock com guitarras abertas e vocais bem melódicos e sem muita potência.
A segunda faixa, Far Away Friends, já melhora um pouco o nível das músicas, mas não muito, principalmente devido ao arranjo da bateria, que conduz o hi-hat, algumas vezes, em semi-colcheias, com vocais, também, bem melódicos e acordes de guitarra abertos.
The Save Ourselves é o nome da faixa 3 que, na minha opinião, é uma das piores do álbum, apesar do refrão que tem um bom arranjo de guitarra, também, com vocais melódicos, existindo uma frase de guitarra que tem um timbre característico para muitas músicas do álbum, bem como um arranjo bem funk no final.
A quarta música já considero uma boa música, esta se chama If I Abide, a introdução é muito boa, dando uma boa expectativa para o que virá a seguir, o que não se confirma por completo, apesar de existir uma boa frase de guitarra semelhante a da faixa anterior, presente, também, no final da faixa, o que já prepara para a música seguinte.
A quinta faixa, Wish I Could Help, na minha opinião, é a melhor do álbum, começa com uma frase de guitarra (que também está presente no refrão) que me lembra She Sells Sanctuary do Cult, o vocal, apesar de manter a característica melódica, já usa mais potência. Vale a pena conferir!
Sleep é uma música instrumental, uma das três melhores do álbum. Arranjos muito bem construídos, a guitarra em evidência, apesar da linha do baixo dar toda sustentação harmônica e melódica ajudam na qualidade da música. Em alguns momentos lembra bandas de rock progressivo da década de 80, existindo uma variação rítmica em seu final.
A sétima faixa chama-se Sister e é uma das mais fraquinhas e sem sal das músicas do álbum, arranjo e composição bem triviais, com nada de especial, e, claro, vocais bem melódicos!
A faixa 8, Middleground, é, na minha opinião, a pior faixa do álbum, lenta, quase uma balada, um arranjo de guitarra dedilhado deixa a música mais suave do que já é! O refrão tenta dar um embalo pra música, mas não o suficiente.
When One Falls é uma boa música, com uma progressão harmônica que lembra mais o punk rock, mas suaviza no refrão, não empolgando o suficiente como poderia.
A faixa 10, Some Sort Of Balance, também é uma boa música, existindo uma frase em conjunto com todos instrumentos que traz o diferencial para o arranjo, com acordes abertos de guitarra, às vezes arpejado, mas como o refrão tem um arranjo simples, sem nenhum elemento de destaque, a música também não empolga como poderia.
A última faixa Seven Years, é uma das melhores do álbum, realmente boa, a começar pelo arranjo de guitarra da introdução e parte A, que não perde o clima no seu refrão, que tem um arranjo, principalmente, de bateria, extremamente criativo, o que chama atenção de maneira positiva. O solo de guitarra também cria um clima interessante para a nova parte da música que vem a seguir.
Apesar de ser um dos álbuns mais fraquinhos do grupo, confira o álbum e confirme que, ouvindo com atenção, o álbum tem elementos bem interessantes para se usar como referência!

domingo, 2 de abril de 2017

59 Times The Pain - Even More Out Of Today (1995)

GÊNERO: Hardcore
ORIGEM: Suécia (Fagersta / Västmanland)
FORMAÇÃO:
Magnus Larnhed (Vocal, guitarra)
Kai Kalliomäki (Guitarra)
Michael Conradsson (Baixo)
Toni Virtanen (Bateria)
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Este é o primeiro Ep da banda, lançado logo após o seu segundo álbum, More Out Of Today, pelo selo Burning Heart. As músicas lembram uma mistura de Agnostic Front e H2O com Suicidal Tendencies e Excel. Os músicos não são muito bons tecnicamente, o que não interfere na qualidade das composições, embora a ausência de frases e solos na guitarra deixam as composições com a sensação de que falta alguma coisa. O vocal parece se esforçar muito para cantar e ainda assim causa a sensação de que não alcança a potência desejada, parecendo, algumas vezes com vocais de rap. Nesta fase o grupo já deixava de lado o hardcore típico de Nova York para inserir elementos típicos do crossover californiano.
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FAIXA A FAIXA:
O Ep começa com a música de trabalho More Out Of Today, a única que está presente no álbum e no Ep, existindo um videoclip de divulgação. É uma música com características do hardcore de Nova York, parecendo uma mescla de Agnostic Front com H2O, este último, em especial, devido ao refrão. Muito boa a faixa, vale a pena conferir!
A segunda faixa, Feeling Down, na minha opinião, é a melhor do Ep, sendo bastante veloz. É muito semelhante ao Excel no início da carreira, existindo um reverber exagerado na caixa da bateria, dando a sensação de estar em outro ambiente!
A terceira e última faixa é um cover da música Join The Army do Suicidal Tendencies. Valeu pela homenagem que prestaram aos caras, mas para quem está acostumado com a versão original, esta não empolga! A grande diferença está na qualidade técnica entre os músicos das duas bandas, o que é evidente no momento que não se percebe nenhum tipo de solo de guitarra na música, bem como mudança de algumas partes do arranjo para cobrir elementos ausentes em relação ao original. O vocal lembra Ice-T! Não chega a ser uma má versão, mas não tem como comparar.
Curta o Ep e tire suas próprias conclusões sobre ele! Não irá se arrepender!

segunda-feira, 27 de março de 2017

4º Potere - Incubo Senza Fine (2006)

GÊNERO: D-Beat
ORIGEM: Itália (Cagliari / Sardenha)
FORMAÇÃO:
Robi (Vocal)
Fede (Guitarra)
Marcellino (Baixo)
Piero (Bateria)
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Este é o primeiro álbum desta banda italiana que tem o instrumental como uma mescla entre Exploited, Wolfbrigade, Sodom (o primeiro), e Concrete Sox (na fase mais crossover), enquanto o vocal é característico de bandas punk italianas como Wretched, podendo confundir-se, às vezes, com bandas suecas como Crude SS ou Rövsvett. A mixagem não é das melhores, deixando o timbre da guitarra bastante abafado, bem como o timbre da caixa da bateria, que parece estar em outro ambiente! Mas é possível ouvir todos instrumentos, existindo boa sincronia entre eles. Para aqueles que curtem o hardcore punk europeu, este álbum agradará!
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FAIXA A FAIXA:
A primeira faixa, Intro, é uma introdução instrumental que lembra muito Exploited, considero uma das melhores do álbum, embalada do início ao fim e com um riff contagiante!
Nazi Scum tem uma introdução em "duas partes", ambas instrumentais, sendo a primeira mais embalada e a segunda mais cadenciada, existindo uma frase da bateria enquanto os acordes são executados de maneira cromática, após, a bateria dita o embalo do som, que é bem veloz, com destaque para a precisão da bateria, existindo uma retardada no andamento em seu final.
A terceira faixa Contro Le Carceri está entre as melhores do álbum, também, embalada do início ao fim, mas não tão veloz, destaque para a fúria da execução do vocal.
Vivisezione é, na minha opinião, a melhor faixa do álbum. Existe uma edição de um áudio no início, onde não sei de onde vem, para então começar a música, que possui uma curta introdução, até que o baixo executada a base harmônica de maneira solo, preparando para a porrada que virá a seguir. Um andamento veloz que só para quando do final da música, a qual dá uma cadenciada no ritmo.
A quinta faixa, Jiad, mantém o mesmo pique da faixa três, porém com uma introdução mais cadenciada, a qual nada mais é do que o mesmo arranjo do refrão.
A faixa seis, 4º Potere, dá nome ao grupo. É uma das músicas mais velozes do álbum, existindo um vocal que executa as palavras de maneira rápida, pequena duração da pronúncia das sílabas, emendando, no final, um arranjo de Pour Elise executado de maneira solo pelo piano.
A sétima faixa, No Shell, possui variações em sua cadência entre as partes, sendo o vocal executado com mais energia que as demais músicas até então. A faixa começa com a edição de um diálogo seguido por tiros de revólver, que parece ser de um filme de faroeste italiano, não sei qual.
Il Terrorista é a penúltima faixa do álbum. Com certeza a música mais veloz do álbum, pois após a introdução instrumental que é mais cadenciada, o petardo começa e não para mais! Se tem alguma música para se ter o In The Sign Of Evil, do Sodom, como referência, é esta!
A última faixa parece ter sido gravada em outro momento de forma ao vivo. Vaffanculo é a faixa mais punk rock do álbum, sendo esta um cover do grupo Blue Vomit. O vocal está quase inaudível, quer dizer, percebe-se sua presença, mas não entende-se as palavras.
Ouça o álbum e veja que bandas mais atuais com influência de bandas antigas podem ser fiéis às suas propostas, sem perder, no caso do 4º Potere, suas origens italianas!

sábado, 25 de março de 2017

2x - Pateando Craneos (2000)

GÊNERO: Rap Core
ORIGEM: Chile (Santiago / Santiago)
FORMAÇÃO:
Alex De La Fuente (Vocal)
Javier Hernández (Guitarra)
Pablo Trejo (Baixo)
Daniel Tobar (Bateria)
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Não tenho muita informação sobre a banda, mas posso afirmar que é uma porrada! Instrumental pesado com vocais de rap. Este álbum é o primeiro do grupo, lançado pelo selo Big Sur, e, na verdade, acho, com exceção do vocal, muito parecido com a banda Teardown (de Porto Alegre), mas para aqueles que não têm esta referência, poderia dizer que o instrumental ora parece com Madball, ora Sepultura, ora com Brujeria, enquanto que o vocal é uma mistura de Rage Against The Machine com Cypress Hill. Existe bastante qualidade técnica por parte dos músicos, em especial por parte da bateria e do contrabaixo, este o qual apresenta diferentes técnicas como two hands, slap, ou double stops. A voz, apesar de não ter nada de especial em relação à técnica, impõe muita expressão e energia, não deixando o embalo e o petardo do som morrer! Os arranjos instrumentais, principalmente no que diz respeito à parte rítmica, são bem trabalhados, somando-se às dinâmicas, torna-se um álbum que não enjoa-se de ouvir!
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FAIXA A FAIXA
A primeira faixa, Intro, é apenas uma introdução executada com sons não consonantes por um trombone, que dura apenas alguns segundos, finalizando já com uma preparação para a segunda faixa.
No Lo Podrás Sostener é uma das duas melhores faixas do álbum e possui um videoclip de divulgação. Apesar de não ser muito embalada, existe trechos em que isso ocorre, muito peso e acentos deslocados caracterizam a música.
A terceira faixa, Nada, já é mais cadenciada, existindo um riff quase constante e marcante que caracteriza a música, muito stacatto e a execução de slap pelo contrabaixo dão um toque a mais na construção do arranjo.
Juicio Y Castigo é a melhor música do álbum, a mais embalada e mais veloz, embora não seja ela toda assim. Uma prévia acontece já no início, com a bateria executando a levada, preparando para o que virá. Os arranjos de corda bem acentuados e cadenciados, e o pedal duplo da bateria, ajudam na qualidade do arranjo, existindo partes suaves no arranjo quando este já se encontra próximo do final.
A faixa número cinco começa com sons de veículos e máquinas, típicos de uma cidade urbana, o que dá nome à faixa: Urbe, provavelmente a música mais pesada do álbum, com o pedal duplo da bateria em evidência, vocais cantados de maneira rápida e com bastante destaque nos acentos, bem como frequentes drives auxiliam na característica da música.
La Hora Del Juicio é a música mais cadenciada do álbum, iniciando com um arranjo de baixo, aos poucos vai ficando, por ora mais pesada, por ora mais rap, com as palavras sendo proclamadas de maneira bem veloz. Basicamente um groove com uma distorção e vocais ritmados.
A faixa 7, La Fuerza Policial, é outra faixa que tem videoclip de divulgação, inicia com um clima de tensão devido ao arranjo de guitarra somado ao som de sirenes. O instrumental lembra bastante Body Count, porém com mais peso e arranjos rítmicos mais cadenciados, existindo scratches, também, no arranjo.
A oitava faixa, A Romper La Calma, é a terceira música do álbum com videoclip, uma das melhores do álbum, possui um riff contagiante e muito groove no seu arranjo, ótimo para quem aprecia variações rítmicas, mas sem perder o embalo da pulsação, que está sempre presente, existindo slap na execução do arranjo. Muito boa faixa, vale a pena conferir!
Pateando Craneos é a música que dá nome ao álbum e, assim como a faixa 5, esta é muito pesada, com um arranjo de bateria, em especial no refrão, que mantém o pedal duplo, acentuado pelos abafados da guitarra, além de ser quase todo ele executado em slap. Existe uma edição no final da faixa que parece um médico louco, porém calmo, em serviço (não sei de onde foi retirado)!
Odio é, com certeza, a faixa mais rap do álbum, embora ainda possua as mesmas características das demais, ritmos variados, dissonâncias e distorção bem acentuados. Não é tão veloz, mas existe muito peso!
A penúltima faixa do álbum, Pachamama, também mantém as mesmas características das demais, sempre com arranjos bem trabalhados, sendo o vocal desta bastante característico do rap.
A última faixa do álbum, Nehuén, mostra a tradição indígena existente no Chile. A música tem um ostinato em Mi menor, com arranjo bastante tribal, executado em two hands pelo baixo, mostrando que existe uma preocupação do grupo com suas origens indígenas. O mesmo trombone da introdução do álbum aparece no início e no meio da faixa, criando diferentes sensações no decorrer da faixa que, mesmo sendo monocórdica, não se torna enjoativa!
Escute o álbum e sinta o petardo chileno entrar no seu ouvido!

domingo, 19 de março de 2017

10 Ft. Ganja Plant - Hillside Airstrip (2001)

GÊNERO: Reggae
ORIGEM: EUA (Boston-S.C. / Massachusetts)
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Retomando o blog agora com um novo formato! Pra recomeçar, um reggae. Não sei muito sobre o grupo, este é o primeiro álbum deles, lançado pelo selo ROIR. Para quem gosta do gênero, este álbum é um prato cheio, pois apresenta vários aspectos típicos do reggae como efeitos, falsetes, dub, cadências de dois acordes, o típico sotaque jamaicano, e, claro, uma boa linha de baixo, que é imprescindível para este tipo de música, aliás, é o que me faz gostar do disco, e, garanto que todos aqueles que curtem os graves ficarão satisfeitos com a criatividade e swing do baixista. Aliás, descobrir a formação do grupo é algo que não consegui, apenas o nome do vocalista e guitarrista Kevin Kinsella, bem como Ras Jay Champany, e Craig Welsch. O disco está muito bem mixado, onde gostei muito do Hi-Hat em evidência, bem como o timbre dos graves. Boas composições, com arranjos bem pensados e boa qualidade técnica fazem deste álbum algo agradável de se ouvir, mesmo que não seja, assim como para mim, o seu gênero predileto!
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FAIXA A FAIXA:
A primeira faixa Long Time Ago é, na minha opinião, a pior música do álbum, com certeza a mais comercial e sem nenhum elemento de destaque, uma canção bem trivial, não chega a ser uma música ruim, mas é bem "sem sal".
Após vem Pure Sugar, uma linha de baixo bem cativante que se torna um loop bem repetitivo, quase que do início ao fim, existindo pequenas intervenções de sopros de metal como trompete e trombone, mas ainda não é o que o álbum tem de melhor, mas vai se direcionando a isso!
A terceira faixa Jah Will Go On é aquele reggae lento e arrastado com constantes contracantos graves e uma linha melódica com intenção de lamentação (ou adoração) que demonstram a fidelidade dos músicos com a filosofia (ou ideologia) rasta, ao menos no que diz respeito à música.
A quarta faixa da versão do CD (já que no LP a ordem é invertida entre as faixas 4 e 6) Time I Know é, com certeza, a melhor música do álbum, aquele reggae típico de uma cadência de dois acordes com frequentes backing vocals, um refrão que se repete e não tem como deixar de cantarolar após ouvir a música, o wah-wah da guitarra põe um tempero a mais, além de contar com um solo de saxofone, a linha do baixo conduz toda intenção melódica, com destaque para a marcação pulsante no momento do refrão. Resumindo: vale muito a pena conferir!
A quinta faixa Soul Love, junto com a primeira, são as que mais me desagradam no álbum, em especial pelo arranjo da guitarra que faz a música soar mais pop, porém esta tem a peculiaridade de ter uma gaita de boca no seu arranjo, o que a valoriza, mas não o suficiente para torná-la uma boa faixa.
Two Bulls é um dub, ou melhor, um dub estelar, existe um exagero de efeitos nesta faixa que nos dão a sensação de estar no espaço, com destaque para a nota dissonante no final da primeira frase cantada, só ouvindo para entender melhor!
A sétima faixa Walkey Walk Tall é a segunda melhor faixa do álbum. Quem ouve a introdução do contrabaixo sem saber do que se trata pode muito bem pensar que é uma música country ou psychobilly, o que logo já é desfeito quando da entrada dos demais instrumentos. Esta música tem a característica do uso do falsete pelo vocalista, e mesmo os timbres toscos escolhidos pelo tecladista, como o que parece ser o de uma escaleta e outros, dão um clima interessante.
A próxima faixa é a que dá nome ao álbum Hillside Airstrip é instrumental e monocórdica, dando a ideia de que está sendo tocada no rádio de um veículo automotor, e é exatamente esta a intenção da faixa, que tem o destaque das frases da guitarra.
A nona faixa se chama Born Free, é uma faixa bem meia boca, com destaque para os últimos acordes da progressão harmônica, bem como o uso de wah-wah pela guitarra, sem nada de mais.
New Day é a música certa para estar no final do álbum, um típico dub quase instrumental com o reverber do aro da caixa "no talo" bem como o uso de delay nos diversos instrumentos, a música perfeita para fechar o álbum.
Existe na mesma faixa um Bonus Track instrumental que não chega a ser ruim, mas não tem nada de mais, porém não precisava estar de bonus, pois desta forma estraga o clima da faixa anterior.
Ouça o álbum e saia cantarolando "This I know, without you I am helpless, no / This I know, without you life is impossible"!